Coco de roda: a força da tradição que une aldeias e quilombos na Paraíba
Celebrado neste domingo, o Dia Nacional do Coco de Roda destaca a resistência cultural de comunidades tradicionais paraibanas e a rica fusão de heranças africanas e indígenas no estado.

O calendário cultural brasileiro dedica este domingo, 26 de julho, às celebrações do Coco de Roda, da Ciranda e da Mazurca. Na Paraíba, esses ritmos transcendem o entretenimento, funcionando como pilares de identidade em territórios quilombolas, aldeias indígenas e periferias. A escolha da data remete ao dia de Nossa Senhora Santana, padroeira que, historicamente, ditava o momento em que diversos grupos tradicionais iniciavam suas festividades.
A diversidade do coco paraibano reflete as raízes de seu povo. No litoral, a influência africana é acentuada, com destaque para a umbigada, movimento típico de matriz banto. Já nas comunidades indígenas, como entre os Potiguara, o diferencial reside na intensidade das pisadas, que marcam o ritmo com vigor. Para esses povos, o coco é uma ferramenta de fortalecimento coletivo, celebrada em grandes eventos como o festival Garapirá, em Baía da Traição.
Além do aspecto social, a tradição possui forte ligação com a espiritualidade, especialmente na Jurema Sagrada. Nessa vertente, instrumentos como o maracá e os ilús não apenas ditam o tempo musical, mas integram a liturgia dos terreiros. Pesquisadores apontam que o coco não nasceu de um ponto único, mas surgiu simultaneamente em várias regiões como uma necessidade humana de expressão, assemelhando-se ao fenômeno global dos tambores.
Outro destaque da cultura regional é a mazurca, considerada uma espécie de irmã mais velha do coco no sertão e no Cariri. Embora o nome remeta a uma dança polonesa, especialistas defendem que a versão paraibana tem origem puramente indígena, tendo adotado a nomenclatura europeia para sobreviver à repressão histórica. Sem instrumentos formais, a mazurca se mantém viva por meio do som das palmas e da percussão dos pés no chão.
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