Crise no BRB: Galípolo e cúpula do banco discutem socorro bilionário e riscos financeiros
Gabriel Galípolo reuniu-se com a diretoria do BRB para tratar do plano de reestruturação do banco. A instituição busca viabilizar um resgate de R$ 6,6 bilhões após perdas críticas com o Banco Master.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, recebeu nesta segunda-feira (27) o comando do Banco de Brasília (BRB). O encontro, que durou cerca de uma hora e ocorreu a portas fechadas, contou com a presença do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e da diretora de Riscos, Ana Paula Teixeira de Sousa. Oficialmente, a pauta envolveu "assuntos institucionais", mas o pano de fundo é a complexa reestruturação financeira da instituição brasiliense.
O BRB tenta destravar um pacote de socorro de R$ 6,6 bilhões, valor homologado pelo Supremo Tribunal Federal para mitigar prejuízos ligados a operações com o Banco Master. Além desse montante, o Governo do Distrito Federal deve injetar outros R$ 2,2 bilhões. No entanto, o repasse enfrenta barreiras técnicas, como a exigência de garantias por parte de bancos públicos federais e a necessidade de auditorias independentes que comprovem a saúde financeira da entidade.
A situação do banco ganhou tons mais críticos após declarações do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o patrimônio do BRB foi severamente comprometido por ativos de baixa qualidade adquiridos do Banco Master, descrevendo os papéis recebidos como papéis sem valor real. Esse desequilíbrio forçou o cancelamento recente de um acordo de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital, que visava justamente converter ativos imobiliários em dinheiro em caixa.
Outro entrave relevante é o atraso na divulgação do balanço financeiro do BRB, uma condição essencial para a liberação dos recursos. Sem a transparência dos dados contábeis atualizados, a instituição permanece sob a mira de sanções e multas do Banco Central. O encontro com Galípolo sinaliza uma tentativa de alinhar os próximos passos para evitar o agravamento da crise de liquidez que atinge o banco estatal.
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