Governo registra déficit de R$ 48,2 bilhões em junho com alta nas despesas federais
O Tesouro Nacional reportou um saldo negativo de R$ 48,2 bilhões em junho. No semestre, o rombo nas contas públicas saltou para R$ 92,2 bilhões, influenciado pelo aumento de gastos do Poder Executivo.
O Tesouro Nacional divulgou que as contas do governo federal fecharam o mês de junho com um déficit primário de R$ 48,2 bilhões. O resultado reflete um cenário em que as arrecadações com impostos e tributos não foram suficientes para cobrir as despesas, excluindo os juros da dívida pública. O desempenho foi superior ao resultado negativo registrado no mesmo período do ano passado, quando o rombo corrigido pela inflação somou R$ 46,3 bilhões.
Apesar de a arrecadação líquida ter crescido 10,3% no mês, impulsionada pelo bom desempenho da economia e por novas medidas tributárias, as despesas totais subiram 9% em termos reais, atingindo R$ 243,3 bilhões. Entre os fatores que pesaram no orçamento estão a elevação de gastos discricionários do Poder Executivo, a liberação de créditos extraordinários e o aumento nos pagamentos de benefícios previdenciários e do seguro-desemprego.
No acumulado do primeiro semestre, o rombo nas contas públicas atingiu R$ 92,2 bilhões, um salto expressivo na comparação com os R$ 11,3 bilhões negativos do mesmo intervalo de 2023. Essa deterioração é explicada, principalmente, pela antecipação do cronograma de pagamento de precatórios ocorrida em março. O volume de sentenças judiciais pagas elevou consideravelmente o nível de despesas para o período.
Embora a meta fiscal para este ano mire um saldo positivo, o arcabouço fiscal permite margens de tolerância e abatimentos legais, como os próprios gastos com precatórios. Diante disso, a projeção oficial do governo é encerrar o ano com um déficit de aproximadamente R$ 52 bilhões. Se essa tendência persistir, as contas federais podem se manter no campo negativo ao longo de todo o atual mandato presidencial.
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