Caso Paraisópolis: Julgamento de PMs tem sigilo e suspeita de falso testemunho em SP
Sessão sobre a morte de Igor Moraes em Paraisópolis entra no 3º dia com depoimento sob sigilo. Justiça apura possível falso testemunho enquanto vídeos mostram vítima rendida antes de ser baleada.

O Tribunal do Júri de São Paulo deu continuidade, nesta quinta-feira (30), ao julgamento dos policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos. A sessão foi marcada por uma interrupção logo no início, quando a magistrada determinou que o plenário fosse esvaziado. A medida ocorreu para que uma testemunha protegida fosse ouvida novamente em sigilo, após o Ministério Público levantar suspeitas de falso testemunho.
Imagens inéditas das câmeras corporais dos agentes reforçam a tese de execução sustentada pela Promotoria. Os vídeos detalham o momento em que Igor, desarmado, obedece às ordens policiais e se rende com as mãos na cabeça. Mesmo após deitar-se no chão e tentar se levantar conforme instruído, o jovem foi atingido por disparos efetuados pelos cabos. As gravações mostram que os quatro suspeitos abordados no local estavam rendidos e não portavam armas no momento da ação.
Os dois cabos respondem por homicídio qualificado, com agravantes por motivo torpe e uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Outros dois soldados envolvidos na ocorrência também foram denunciados, mas terão processos julgados separadamente. Enquanto a acusação classifica o episódio como um ato de justiçamento, a defesa dos policiais alega que as imagens das câmeras corporais oferecem apenas um recorte parcial dos fatos e não refletem a realidade completa da operação.
O julgamento, que já dura três dias, deve ser encerrado ainda nesta quinta-feira com a decisão dos sete jurados. A família de Igor, presente no tribunal, clama por justiça diante do que consideram uma ação truculenta que deixou uma criança de cinco anos órfã. O Ministério Público insiste que a conduta dos agentes violou os protocolos de atuação do Estado e resultou na execução sumária de um cidadão já subjugado.
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