Ações policiais impulsionam violência armada e batem recorde de participação em tiroteios
Dados do Instituto Fogo Cruzado revelam que intervenções policiais em quatro capitais brasileiras alcançaram patamares históricos, sendo responsáveis por quase 40% dos tiroteios no primeiro semestre de 2026.
A estratégia de segurança pública baseada em operações policiais tem sido o principal combustível da violência armada no Brasil. É o que revela o levantamento semestral do Instituto Fogo Cruzado, que monitorou as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador entre janeiro e junho de 2026. O documento aponta que, embora o número total de tiroteios tenha apresentado queda em algumas áreas, a presença policial nos confrontos atingiu níveis recordes.
No total, foram registrados 2.511 episódios de disparos, resultando em mais de 1.600 mortes nas regiões mapeadas. As forças de segurança estiveram envolvidas em 39% desses casos, um aumento significativo em relação aos 33% registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo a pesquisadora Terine Husek Coelho, o Estado insiste em um modelo ineficaz que expõe a população ao risco e falha em desarticular facções criminosas e milícias, que também viram o número de vítimas em disputas crescer 12%.
O cenário é crítico em diferentes estados. No Grande Rio, quase metade dos tiroteios (47%) teve participação policial, o maior índice desde 2017. Em Salvador, a proporção é ainda maior, com 53% das ocorrências ligadas a ações dos agentes. Já no Grande Recife, embora os índices gerais de violência tenham caído, a participação de policiais em tiroteios bateu recorde histórico, enquanto Belém segue com forte marca da letalidade em operações oficiais.
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