Moacir Santos 100 anos: a trajetória do mestre que fundiu ritmos brasileiros ao jazz
Nascido no sertão pernambucano, o maestro completaria um século de vida neste domingo. Reconhecido mundialmente, sua obra revolucionou a música ao misturar raízes africanas, jazz e erudição.

O Brasil celebra neste domingo o centenário de nascimento de Moacir Santos, um dos nomes mais sofisticados da nossa história musical. Nascido em Flores, no Sertão do Pajeú, o maestro, arranjador e multi-instrumentista transformou a vivência no agreste pernambucano em uma sonoridade única, muitas vezes descrita como "ouro negro", que conquistou o cenário internacional.
A trajetória de Moacir é marcada pela transição entre o regional e o universal. Após passagens por Pernambuco e Paraíba, ele aportou no Rio de Janeiro em 1948, onde brilhou na era de ouro da Rádio Nacional. Seu talento o levou posteriormente aos Estados Unidos, onde fixou residência e faleceu em 2006, na Califórnia. Apesar de reverenciado por instrumentistas e estudiosos, o mestre ainda é um tesouro a ser plenamente descoberto pelo grande público brasileiro.
Sua obra-prima, o álbum "Coisas" (1965), é um pilar da discografia nacional por fundir com maestria ritmos de matriz africana, como o maracatu e o samba, à liberdade do jazz e ao rigor da música erudita. Aluno de nomes como Guerra-Peixe e professor de figuras como Baden Powell e João Donato, Moacir foi saudado por Vinicius de Moraes como um artista múltiplo, capaz de criar pontes inovadoras entre a tradição popular e as grandes orquestras.
Para celebrar o marco histórico, o 1º Festival Ouro Negro do Pajeú promoveu tributos em sua terra natal. O evento reforça a importância de manter vivo o legado de um gênio que, mesmo radicado no exterior por décadas, nunca deixou de carregar o DNA rítmico do Brasil em suas composições inovadoras, tornando-se um patrimônio da música mundial.
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