Credibilidade em risco: brasileiros desconfiam de famosos que promovem sites de apostas
Estudo revela que 51% dos brasileiros têm visão negativa de celebridades que anunciam casas de apostas. A desconfiança cresce entre o público de maior renda e escolaridade.

Um levantamento inédito realizado pela organização More in Common, em parceria com o instituto Ipsos-Ipec, aponta um desgaste significativo na imagem de influenciadores e atletas que promovem casas de apostas. Segundo o estudo, 51% dos brasileiros têm uma percepção negativa sobre essas parcerias, enquanto 40% afirmam que passaram a confiar menos nas celebridades envolvidas. Para muitos entrevistados, a prática é vista como irresponsável e carente de ética, associando os famosos à exploração financeira do público.
O fenômeno gera um alerta para o mercado publicitário. Especialistas explicam que, embora os contratos bilionários ofereçam retorno imediato, o custo para a reputação é alto, especialmente entre as classes de maior renda e escolaridade. Esse grupo, considerado o de maior valor para marcas tradicionais, é justamente o que mais demonstra ceticismo e perda de credibilidade diante de figuras públicas que vendem a ilusão de ganhos fáceis por meio de jogos de azar.
O impacto real dessa publicidade é ilustrado por casos dramáticos, como o do cabeleireiro Isaac Pinto de Andrade. Após perder mais de R$ 100 mil e ver sua vida financeira destruída, ele tentou processar influenciadores como Virginia Fonseca e Carlinhos Maia. Apesar de a Justiça de São Paulo ter excluído os famosos do processo, alegando que eles apenas veicularam conteúdo sem responsabilidade contratual direta pelas perdas, o episódio reforça o debate sobre o dever moral de quem possui milhões de seguidores.
Diante do cenário de endividamento e vício, o governo federal e diversas capitais brasileiras começaram a endurecer as regras. Novas normas exigem advertências sobre os riscos do jogo e proíbem promessas de enriquecimento rápido. O tema é um dos poucos pontos de consenso na política nacional: independentemente da inclinação partidária, a maioria da população apoia restrições mais severas para conter o avanço desenfreado das bets no cotidiano das famílias brasileiras.
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