Fazenda monitora alta nas importações e pode sugerir volta da taxa sobre compras internacionais
O governo federal avalia retomar a cobrança de 20% sobre encomendas de até 50 dólares caso o aumento das compras no exterior prejudique a competitividade da indústria e do varejo brasileiro.

O Ministério da Fazenda acompanha com atenção a disparada no volume de encomendas vindas do exterior após a suspensão da alíquota de 20% para compras de até 50 dólares. Dario Durigan, representante da pasta, explicou que a isenção atual funciona como uma fase de testes para avaliar o impacto econômico e que o governo pode sugerir ao presidente Lula o retorno da cobrança caso a produção nacional seja prejudicada.
A decisão de zerar o tributo foi oficializada por meio de uma Medida Provisória, que permitiu o monitoramento detalhado do fluxo de mercadorias. Contudo, para que a isenção se mantenha após o período de 120 dias, o Congresso Nacional deverá validar o texto, o que abre espaço para intensas negociações entre defensores da medida e representantes da indústria brasileira.
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que engloba grandes redes nacionais, alerta que a falta de tributação sobre produtos estrangeiros gera uma desvantagem competitiva severa. Segundo a entidade, os resultados de vendas já mostram retração em alguns setores, o que pode resultar em cortes de empregos e redução de investimentos se a isonomia tributária não for estabelecida rapidamente.
Em contrapartida, empresas de tecnologia e importadores argumentam que a isenção do imposto federal democratiza o acesso ao consumo e reduz desigualdades. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defende que o recente aumento na demanda é uma reação natural do mercado e que é necessária uma análise de longo prazo, de pelo menos seis meses, antes de qualquer nova mudança nas regras.
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