Caso Benício: Justiça mantém médica e técnica como rés por morte de criança em Manaus
O Tribunal de Justiça do Amazonas negou pedidos de anulação do processo contra as profissionais envolvidas na morte de Benício Xavier, de 6 anos, após aplicação incorreta de adrenalina.

A 1ª Vara do Tribunal do Júri do Amazonas decidiu manter o processo criminal contra a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia pela morte do pequeno Benício Xavier, de 6 anos. O juiz Rafael Rodrigo da Silva Raposo rejeitou os pedidos das defesas para anular a denúncia, confirmando que ambas seguem como rés por homicídio qualificado com dolo eventual.
Além de negar o encerramento da ação, o magistrado indeferiu o pedido de Acordo de Não Persecução Penal solicitado pela defesa da médica, justificando que tal benefício não é aplicável em casos de crimes dolosos contra a vida. A decisão reforça que a denúncia do Ministério Público descreve detalhadamente a conduta de cada acusada no episódio ocorrido em um hospital particular de Manaus.
As investigações apontam que Benício foi vítima de um erro médico gravíssimo. O menino, que apresentava sintomas de laringite, recebeu uma superdosagem de adrenalina por via intravenosa, quando o protocolo indicava a administração por inalação. Segundo a polícia, a médica responsável não possuía especialização em pediatria e estaria trocando mensagens sobre vendas de produtos pelo celular durante o atendimento.
O caso também gerou desdobramentos éticos no Conselho Regional de Medicina do Amazonas, que apura a assistência prestada à criança. Paralelamente, a Justiça determinou que conteúdos sensacionalistas publicados pela defesa da médica nas redes sociais fossem removidos, sob pena de multa diária, por serem considerados ofensivos à memória da criança e à honra da família da vítima.
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