Colômbia: Falta de apoio governamental faz agricultores retomarem cultivo de coca
Camponeses colombianos voltam ao plantio da matéria-prima da cocaína após promessas não cumpridas de auxílio financeiro e falta de estrutura para escoar produtos legais.

O sonho de abandonar a ilegalidade tornou-se uma frustração para milhares de agricultores na Colômbia. Muitos camponeses, que haviam trocado o cultivo de coca por alimentos como mandioca e banana, estão retomando a produção da planta base para a cocaína. O motivo central é a ausência do suporte financeiro e técnico prometido pelo governo, somada à precariedade das estradas rurais, que torna o transporte de colheitas lícitas economicamente inviável.
A substituição de culturas foi um dos pilares fundamentais do acordo de paz de 2016 com as FARC. O programa previa o pagamento de valores que hoje equivalem a cerca de R$ 57 mil por família, além de assistência técnica constante. No entanto, a desorganização estatal, atrasos nos repasses e mudanças nas prioridades políticas deixaram as comunidades isoladas. Atualmente, o país registra recordes históricos de área plantada, superando a marca de 250 mil hectares.
A economia da coca oferece vantagens que o mercado legal ainda não consegue superar em regiões remotas. Com até quatro colheitas anuais e uma logística de transporte simplificada por grupos compradores, o cultivo garante renda imediata em áreas marcadas pela pobreza. Para especialistas, enquanto não houver investimento real em infraestrutura e segurança, o ciclo do narcotráfico continuará sendo visto por muitos como a única saída para a sobrevivência básica.
O atual governo colombiano tenta reverter esse cenário com o projeto RenHacemos, que busca focar na diversificação econômica e na conectividade digital das áreas rurais. Contudo, o ceticismo impera entre os produtores que já se sentiram abandonados pelo Estado em tentativas anteriores. Para esses agricultores, o retorno ao plantio ilícito não é uma opção de vida fácil, mas uma medida desesperada diante do isolamento geográfico e da fome.
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