Juros para as famílias sobem para 64% ao ano e pressionam orçamento dos brasileiros
Dados do Banco Central revelam que taxas de juros e inadimplência seguem altas, forçando brasileiros a comprometerem quase 30% de sua renda mensal com o pagamento de dívidas.
As taxas de juros cobradas das famílias brasileiras voltaram a subir em junho, atingindo a marca de 64% ao ano na modalidade de crédito livre. Segundo estatísticas do Banco Central divulgadas nesta quinta-feira, o avanço foi impulsionado principalmente pelo crédito pessoal sem consignação, que registrou um salto significativo de 7 pontos percentuais no período. O cenário evidencia o alto custo do crédito para o consumidor final em um ambiente de taxas elevadas.
A inadimplência e o endividamento geral também são destaques negativos no relatório. O índice de atrasos nos pagamentos para pessoas físicas estabilizou em 5,6% no mês, mas mostra um crescimento expressivo em relação ao ano passado. Atualmente, o endividamento atinge 49,8% das famílias, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,5%, refletindo a dificuldade financeira enfrentada por grande parte da população para honrar seus compromissos.
Em termos globais, o saldo das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional totalizou R$ 7,4 trilhões, apresentando uma expansão moderada de 0,7% em junho. No entanto, houve uma retração de 0,2% nas novas concessões destinadas às famílias, movimento explicado pela menor procura em categorias como financiamento de veículos e empréstimos pessoais sem garantias reais. Enquanto isso, o spread bancário permaneceu estável no patamar de 21,9 pontos percentuais.
O levantamento também aponta que o crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,7 trilhões, o que representa 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante foi influenciado pela desvalorização cambial e pela emissão de títulos públicos e privados. Em doze meses, o crédito ampliado acumula uma expansão de quase 12%, sustentada pelo crescimento dos empréstimos do sistema financeiro e pela dinâmica do mercado de dívidas corporativas.
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