Fed mantém juros dos EUA inalterados em 3,5% e monitora cenário inflacionário
O Federal Reserve decidiu manter as taxas de juros americanas estáveis nesta quarta-feira. A medida reflete o temor com a alta do petróleo e deve impactar o câmbio e os juros no Brasil.

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, optou por manter a taxa básica de juros no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano durante sua reunião realizada nesta quarta-feira. A estabilidade do indicador, que permanece no menor patamar desde o final de 2022, seguiu as projeções da maior parte do mercado financeiro e marca a quinta manutenção consecutiva das taxas.
A autoridade monetária justificou a cautela citando a persistente volatilidade nos preços do petróleo, alimentada pela continuidade dos conflitos no Oriente Médio. Sob a gestão de Kevin Warsh, nomeado pelo presidente Donald Trump, o Fed tenta equilibrar a pressão política por crédito mais barato com a necessidade técnica de controlar a inflação em meio a um cenário de instabilidade geopolítica e disputas tarifárias.
Esta foi a segunda decisão sob a nova liderança da instituição e ocorre em um momento de transição política nos EUA. Desde a posse de Trump em janeiro de 2025, o país viu três reduções nas taxas, mas o ritmo de cortes foi interrompido pela conjuntura econômica incerta. O atual governo defende juros mais baixos para estimular a economia, porém o banco central prioriza a vigilância sobre os preços ao consumidor.
Os reflexos dessa política são sentidos diretamente no Brasil. Com os juros americanos em patamares elevados, os títulos do Tesouro dos EUA tornam-se mais atraentes, provocando uma fuga de capital de mercados emergentes e fortalecendo o dólar perante o real. Esse movimento cambial tende a importar inflação para o mercado doméstico, forçando o Banco Central do Brasil a manter a taxa Selic alta por um período prolongado.
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