Alckmin critica postura de Milei e foca em ampliar comércio entre Brasil e Coreia do Sul
O vice-presidente Geraldo Alckmin reprovou falas de Javier Milei e destacou o potencial de investimentos sul-coreanos no país, visando parcerias em tecnologia, agro e infraestrutura.

Durante o fórum empresarial Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin descreveu como lamentáveis as recentes declarações de Javier Milei sobre o governo brasileiro. Para Alckmin, a postura do presidente argentino representa um desserviço ao próprio país vizinho, embora tenha pontuado que o episódio não deve prejudicar o avanço de acordos comerciais estratégicos do Mercosul com mercados como Singapura e a União Europeia.
O evento teve como foco principal o aprofundamento dos laços com a Coreia do Sul, país que já investiu cerca de 8,9 bilhões de dólares no Brasil. O governo federal expressou o desejo de quase dobrar o volume do comércio bilateral, que movimentou 10,8 bilhões de dólares em 2025. O objetivo central é migrar da simples exportação de minério bruto para uma colaboração baseada em industrialização, tecnologia de ponta e compartilhamento de engenharia.
Além da pauta industrial, o agronegócio e a área aeroespacial ganharam destaque nas discussões. Atualmente, 40% do café especial consumido pelos sul-coreanos tem origem brasileira, e há grande expectativa para a abertura do mercado asiático para as proteínas animais do Brasil após visitas sanitárias previstas para agosto. No setor de defesa, a utilização do Centro Espacial de Alcântara por foguetes sul-coreanos foi citada como um exemplo prático de cooperação tecnológica de alto nível.
Sobre as recentes tensões comerciais globais envolvendo os Estados Unidos, Alckmin esclareceu que o tema não fez parte da agenda com a delegação asiática. O vice-presidente defendeu o multilateralismo e pontuou que o Brasil poderá aplicar medidas de reciprocidade comercial para proteger setores afetados por tarifas externas, ressaltando que tais ações visam o equilíbrio e a competitividade, não devendo ser interpretadas como uma política de retaliação.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.