HIV: Avanço científico eleva para 13 o número de pacientes em remissão no mundo
Novos casos de cura foram apresentados em conferência no Rio de Janeiro. Pacientes que receberam transplantes de células-tronco estão há mais de um ano sem medicação e com carga viral indetectável.

A Sociedade Internacional de Aids confirmou nesta segunda-feira dois novos casos de remissão do HIV, elevando para 13 o total de pacientes que alcançaram esse estágio. Os anúncios foram feitos durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Ambos os pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves no sangue e, após o procedimento, conseguiram suspender o uso de antirretrovirais sem que o vírus voltasse a ser detectado em exames.
Um dos casos envolve um jovem de 21 anos, residente em Kansas City, nos Estados Unidos, que recebeu o diagnóstico de HIV e leucemia em 2018. Após um transplante realizado em 2020 com células de um doador portador de uma mutação genética rara, que bloqueia a entrada do vírus nas células de defesa, ele está há 14 meses sem tomar medicamentos. O segundo paciente, que enfrentava uma infecção mais complexa por diferentes variantes do vírus, completou um ano em remissão sustentada, embora tenha registrado o retorno da hepatite B após a interrupção da terapia.
Apesar do otimismo, a comunidade científica trata esses episódios como possíveis curas devido ao tempo relativamente curto de observação. Especialistas explicam que o termo mais adequado no momento é remissão sustentada, já que o HIV possui a capacidade de se esconder em reservatórios do corpo, como o intestino e o sistema nervoso, o que exige um acompanhamento rigoroso por vários anos para garantir que nenhuma célula infectada permaneça latente.
Vale ressaltar que o transplante de células-tronco é um procedimento invasivo e de alto risco, indicado apenas para pacientes com patologias fatais, como cânceres hematológicos. Por esse motivo, a técnica não é considerada uma solução terapêutica viável para a população geral que vive com o vírus. O foco atual dos pesquisadores é buscar métodos mais seguros e acessíveis, como a terapia gênica e o uso de anticorpos específicos, que possam replicar esse controle viral sem os riscos de uma cirurgia de grande porte.
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