Especialistas avaliam se ventos destrutivos em SP e no Rio têm relação com o El Niño
Após rajadas de vento superarem 100 km/h e causarem mortes no Sudeste, meteorologistas explicam que o fenômeno foi uma frente de rajada e que a conexão com o El Niño ainda depende de estudos.
As fortes ventanias que atingiram os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo na última quarta-feira deixaram um rastro de destruição e vítimas fatais. Com rajadas que ultrapassaram os 120 km/h em solo paulista e atingiram 105 km/h na capital fluminense, o fenômeno foi provocado por uma frente de rajada. Esse sistema se deslocou a partir de tempestades formadas originalmente na Região Sul do país.
Segundo especialistas do Inmet e do Cemaden, o evento climático resultou de uma zona de baixa pressão atmosférica somada a um fluxo de ar nas camadas superiores da atmosfera. Essa linha de instabilidade avançou de forma acelerada, dissipando-se à medida que seguia para o norte, o que explica por que os ventos foram muito mais intensos do que a própria chuva em diversas localidades.
Apesar da gravidade do fenômeno, meteorologistas afirmam que ainda é prematuro associar diretamente o ocorrido ao El Niño. Embora o aquecimento das águas do Pacífico esteja em um patamar elevado neste ano, com potencial para ser um dos mais intensos das últimas sete décadas, vendavais desse tipo podem ocorrer em qualquer época, independentemente da presença do fenômeno climático global.
Marcelo Seluchi, coordenador do Cemaden, pondera que existe uma relação indireta, já que o El Niño favorece a permanência de frentes frias no Sul, o que acaba gerando linhas de instabilidade secundárias que sobem para o Sudeste. No entanto, pesquisadores reforçam que apenas análises técnicas mais detalhadas poderão confirmar se a magnitude dos estragos recentes foi efetivamente potencializada pelo atual cenário oceânico.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.