J&J oferece R$ 28 bilhões para encerrar ações judiciais sobre talco e câncer
A Johnson & Johnson propôs um acordo bilionário para resolver dezenas de milhares de processos nos EUA. O objetivo é encerrar a longa disputa jurídica que associa seu talco a casos de câncer de ovário.

A gigante do setor de saúde Johnson & Johnson apresentou uma proposta de US$ 5,5 bilhões, aproximadamente R$ 28 bilhões, para encerrar a vasta maioria dos processos judiciais que enfrenta nos Estados Unidos. A oferta visa solucionar cerca de 76 mil casos de consumidores que alegam que o uso de produtos à base de talco, incluindo o tradicional pó para bebês, causou câncer de ovário.
O cronograma de pagamentos prevê o desembolso de US$ 3 bilhões já no próximo ano, com o restante sendo quitado até 2028. Para que o acordo seja formalizado, a companhia precisa da aceitação de escritórios de advocacia que representam 95% das reclamantes. Segundo o vice-presidente de litígios da firma, Erik Haas, o encerramento definitivo permitiria que a empresa focasse em sua missão de desenvolver novas tecnologias médicas.
Apesar da oferta bilionária, a multinacional nega veementemente que seus produtos causem a doença e reitera que o talco utilizado é seguro e livre de amianto. As disputas legais sobre o tema arrastam-se desde 2009, alimentadas por preocupações de contaminação mineral. Recentemente, tribunais deram vitórias parciais à empresa ao questionar a relação direta entre o produto e as enfermidades relatadas.
Em meio à pressão jurídica e de mercado, a J&J interrompeu a venda mundial do talco mineral em 2022, após ter tomado medida similar nos EUA em 2020. A decisão comercial resultou na substituição da fórmula clássica por versões feitas integralmente de amido de milho, buscando evitar novas controvérsias e garantir a segurança dos consumidores.
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