Corrida aos cartórios: Famílias antecipam doação de imóveis para evitar alta de impostos
Mudanças nas regras do ITCMD levam brasileiros a antecipar a herança. O número de doações de imóveis disparou 59%, motivado pelo receio de alíquotas mais altas e nova forma de cálculo sobre o valor de mercado.
A promulgação da Reforma Tributária gerou um movimento sem precedentes nos cartórios de notas do país. Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB), o registro de doações de imóveis saltou de 116 mil em 2020 para quase 186 mil em 2025. Esse aumento expressivo reflete a preocupação de proprietários com o novo cenário fiscal, que deve encarecer significativamente a transferência de patrimônio para os herdeiros nos próximos anos.
O principal motivo dessa urgência é a alteração no Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Com as novas diretrizes, o tributo passará a ser obrigatoriamente progressivo, podendo atingir o teto de 8%. Além disso, a base de cálculo deixará de ser o valor patrimonial simplificado para se basear no valor de mercado do bem, que é consideravelmente maior. Estados como São Paulo e o Distrito Federal já discutem ou aplicam ajustes para se adequar à nova realidade constitucional.
Especialistas em planejamento patrimonial explicam que muitas famílias buscam a doação direta ou a criação de holdings para garantir segurança jurídica e economia. No entanto, advogados alertam que a antecipação exige cautela e estratégia técnica. Agir por impulso, sem incluir cláusulas como a reserva de usufruto, pode deixar os doadores desprotegidos financeiramente, fazendo-os depender da anuência dos filhos para usufruir de seus próprios bens.
A modernização dos serviços notariais também facilitou esse processo por meio da plataforma e-notariado, que permite a lavratura de escrituras de forma totalmente digital. Para o setor, o planejamento sucessório deixou de ser um tema adiado pelas famílias e se tornou uma decisão do presente. O objetivo central é evitar que a futura sucessão seja consumida por impostos elevados e pela burocracia de inventários demorados.
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