Vítima de abusos recorre à Justiça para excluir nome da mãe de todos os seus documentos
Após mudar de nome, a biomédica Heloísa Rodrigues tenta remover a filiação materna de sua certidão de nascimento para romper definitivamente com um passado marcado por violência e traumas.

Aos 28 anos, a biomédica Heloísa Rodrigues enfrenta uma complexa batalha judicial para apagar os últimos vestígios de uma infância traumática. Após conseguir alterar seu prenome e retirar o sobrenome materno em 2024, ela agora busca o direito de excluir o nome da mãe do campo de filiação em seus registros oficiais. Heloísa afirma que a medida é essencial para sua saúde mental, pois a manutenção do dado a obriga a reviver episódios de violência física e abusos sexuais sofridos desde os nove anos de idade.
O histórico relatado pela jovem inclui agressões graves, como um episódio em que a mãe teria ateado fogo na cama onde ela dormia com o pai. Além disso, denúncias feitas por Heloísa ao longo dos anos resultaram na condenação de dois homens por crimes sexuais cometidos contra ela e suas irmãs. Apesar das evidências e de uma medida protetiva atual que obriga a genitora a manter distância, a Justiça negou inicialmente o pedido de exclusão do registro, sob o argumento jurídico de que a maternidade é um fato biológico e histórico imutável.
A defesa da biomédica já recorreu da decisão, sustentando que o Direito brasileiro deve se adaptar a situações excepcionais de violência comprovada, citando precedentes onde o corte do vínculo registral foi autorizado. Enquanto aguarda o desfecho do caso, Heloísa tenta reconstruir sua vida pessoal e profissional. Para ela, a retirada definitiva do nome materno dos documentos representa a etapa final para se libertar de um passado de dor e conquistar sua independência emocional.
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