Defesa de Marco Buzzi usa registros de ponto para contestar acusações de assédio no STJ
A advogada do ministro afastado afirma que dados de acesso ao tribunal e laudos médicos desmentem os relatos de abuso sexual apresentados por duas denunciantes.

O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decide, na próxima quinta-feira (6), o futuro administrativo do ministro Marco Buzzi, atualmente afastado sob graves acusações de assédio e importunação sexual. O julgamento pode resultar na perda definitiva do cargo. Em defesa do magistrado, a advogada Maria Fernanda Saad Ávila iniciou uma série de visitas aos gabinetes da Corte para apresentar provas que, segundo ela, demonstram contradições cruciais nos depoimentos das supostas vítimas.
Uma das principais estratégias da defesa baseia-se nos registros de entrada e saída do tribunal. Segundo Ávila, os dados das catracas provam que Buzzi e a ex-funcionária que o acusa não estavam sozinhos nos horários e locais citados nas denúncias. A advogada aponta ainda que testemunhas de acusação teriam prestado falso testemunho ao tentar ajustar horários de chegada que não coincidem com a rotina real do ministro, comprovada por registros eletrônicos e mensagens internas.
Em relação ao episódio ocorrido no litoral catarinense envolvendo uma jovem de 18 anos, a defesa sustenta que o único contato físico foi um auxílio motor devido à dificuldade de locomoção do magistrado. Um laudo médico de disfunção erétil também foi anexado ao processo para contestar a descrição técnica feita pela denunciante sobre o suposto abuso. Para a advogada, a existência de encontros entre familiares das acusadoras sugere uma possível articulação para prejudicar o ministro.
Além do processo administrativo no STJ, Buzzi enfrenta dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal. As investigações abrangem não apenas as queixas de cunho sexual, mas também suspeitas de participação em um esquema de venda de sentenças judiciais. A defesa nega qualquer irregularidade e afirma que o ministro nunca foi formalmente notificado sobre as apurações relativas a crimes de corrupção ou negociação de decisões.
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