Planalto e Itamaraty criticam ofensas de ministros a Javier Milei
A cúpula do governo federal manifestou incômodo com declarações de Dario Durigan e Guilherme Boulos contra o presidente argentino, avaliando que o tom agressivo prejudica a estratégia diplomática brasileira.

A postura adotada pelos ministros Dario Durigan e Guilherme Boulos em resposta aos ataques recentes de Javier Milei provocou um clima de tensão nos bastidores do governo federal. Membros do Palácio do Planalto e do Itamaraty expressaram descontentamento, alegando que as falas dos auxiliares fugiram da conduta diplomática previamente estabelecida para lidar com o mandatário argentino.
O incômodo reside no uso de termos considerados grosseiros. Enquanto Durigan reagiu chamando Milei de palhaço após críticas à gestão econômica brasileira, Boulos utilizou expressões como caricatura patética e puxa-saco. No entendimento de diplomatas, as falas foram um erro tático, uma vez que o Brasil pretendia manter uma postura de superioridade ética diante das provocações vindas de Buenos Aires.
A estratégia oficial, definida anteriormente pela Presidência e pelo Ministério das Relações Exteriores, previa rebater as falas argentinas sem recorrer a ataques pessoais. A nota oficial do governo já havia repudiado as declarações de Milei contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, mas mantinha um tom institucional, priorizando a defesa das instituições em vez do embate verbal direto.
Conselheiros do Planalto reforçaram que baixar o nível da discussão é contraproducente para os interesses nacionais. Para esses assessores, o governo deveria ter se limitado ao conteúdo da resposta do Itamaraty, que rebateu as agressões de maneira severa, porém polida. A avaliação final é que a conduta dos ministros gerou um ruído evitável e desnecessário na política externa do país.
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