Morre em Goiás irmão de Leide das Neves, vítima da tragédia do Césio-137
Lucimar das Neves Ferreira, que foi exposto à radiação aos 14 anos, morreu aos 52 em Aparecida de Goiânia. Ele era irmão de Leide das Neves, símbolo da tragédia radiológica ocorrida em 1987.

Lucimar das Neves Ferreira, de 52 anos, foi encontrado sem vida em sua residência no município de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital goiana. A notícia do falecimento foi confirmada pela Associação das Vítimas do Césio-137 e por sua mãe, Lourdes das Neves Ferreira. De acordo com informações preliminares, Lucimar teria morrido enquanto dormia, no último sábado (25).
A trajetória de Lucimar foi marcada pela exposição à radiação ainda na adolescência. Aos 14 anos, ele foi atingido pelo material radioativo após a abertura de uma cápsula de Césio-137, caso que chocou o país no final da década de 80. Relatos da associação indicam que ele enfrentava problemas de saúde recorrentes e passava por acompanhamento médico, apresentando episódios frequentes de desmaio nos últimos meses.
Ele era irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina de seis anos que se tornou o principal rosto das vítimas do acidente em Goiânia. Na ocasião, o pai dos jovens levou fragmentos da substância radioativa para dentro de casa após o material ser retirado de um equipamento de radioterapia abandonado. Leide faleceu pouco tempo depois do contato direto com o elemento químico.
A morte de Lucimar traz novamente à tona o debate sobre a assistência e o monitoramento das vítimas da tragédia. Embora a causa exata do óbito não tenha sido divulgada, o histórico de saúde debilitada do sobrevivente era acompanhado de perto por familiares. Dona Lourdes, em suas redes sociais, prestou homenagens ao filho, relembrando o impacto que o acidente de 1987 teve na vida de toda a família.
O acidente com o Césio-137 é reconhecido como o maior desastre radiológico do mundo ocorrido fora de instalações nucleares. Após quase quatro décadas, as sequelas físicas e emocionais continuam a afetar aqueles que foram direta ou indiretamente expostos, mantendo viva a memória de uma das maiores tragédias da história de Goiás e do Brasil.
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