Plano da Fifa para vender direitos da Copa gera crise e resistência global no futebol
Proposta de atrair investidores privados para o Mundial causa polêmica entre confederações e levanta dúvidas sobre conflitos de interesse e a privatização do esporte.

A gestão de Gianni Infantino na Fifa enfrenta uma forte onda de críticas após a confirmação de um plano para atrair capital privado para a Copa do Mundo. A entidade pretende criar uma subsidiária comercial, a FIFA Forward Enterprise, com o objetivo de vender uma participação minoritária dos direitos do torneio por cerca de 20 bilhões de dólares. A movimentação, inspirada no modelo de franquias dos esportes norte-americanos, sinaliza uma mudança profunda na forma como o futebol mundial é financiado e explorado.
A proposta gerou resistência imediata entre as principais confederações continentais. Entidades como a Uefa e a Confederação Asiática de Futebol manifestaram descontentamento com a falta de diálogo prévio e questionam a legitimidade da decisão. Críticos argumentam que o projeto pode representar o início de uma privatização velada do Mundial, tratando o que é considerado um patrimônio cultural global apenas como um ativo financeiro para maximizar receitas.
Além das questões comerciais, o plano levanta suspeitas de conflitos de interesse devido à proximidade de Infantino com figuras ligadas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O envolvimento de grupos de investimento com conexões políticas intensifica os debates sobre transparência e governança na entidade. Especialistas alertam que a ausência de mecanismos de fiscalização eficazes pode transformar os novos recursos em ferramentas de influência política dentro da organização.
Para tentar viabilizar o projeto, a Fifa acenou com repasses bilionários às suas 211 associações nacionais, prometendo pagamentos individuais que podem superar os 120 milhões de reais até 2035. Enquanto alguns dirigentes veem a medida como essencial para o desenvolvimento do esporte em regiões menos favorecidas, opositores acreditam que o bônus serve para silenciar críticas e garantir lealdade política, aprofundando o racha entre a cúpula da entidade e as federações que resistem à mercantilização excessiva do futebol.
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