IA cria Bolsonaros virtuais e gera impasse jurídico nas eleições de 2026
Vídeos manipulados por inteligência artificial simulam declarações do ex-presidente em apoio ou crítica a candidatos, testando os limites das regras impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral para o pleito.

Mesmo impedido de se manifestar publicamente e cumprindo restrições judiciais, o ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se uma figura onipresente nas redes sociais por meio de inteligência artificial. Vídeos conhecidos como deepfakes circulam intensamente em plataformas como o TikTok, mostrando avatares realistas que pedem votos, comemoram falsos alvarás de soltura e chegam até a satirizar o cenário político atual, declarando apoio a adversários históricos em montagens irônicas.
O uso da tecnologia atingiu o centro da política institucional quando o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, exibiu uma simulação do pai durante a convenção oficial do PL. Embora a peça contivesse um aviso informando que as imagens foram geradas por computador, a iniciativa motivou uma representação judicial da Federação Brasil da Esperança. O caso agora está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, que deve decidir se houve propaganda antecipada e uso irregular de recursos digitais.
Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, cobrou explicações sobre a autorização para o uso da imagem e voz do ex-presidente no evento partidário. A defesa de Bolsonaro negou qualquer consentimento, argumentando que o isolamento imposto pela Justiça impede o contato necessário para tal autorização. O episódio levanta o debate sobre o possível descumprimento de medidas cautelares que proíbem o político de utilizar redes sociais, mesmo por intermédio de terceiros ou tecnologias de simulação.
Especialistas em Direito Eleitoral divergem sobre a aplicação das normas atuais durante o período de pré-campanha. Enquanto as resoluções do TSE vetam expressamente o uso de deepfakes na propaganda oficial, o controle sobre conteúdos gerados por usuários e a antecipação de estratégias digitais representam um desafio complexo. A Justiça Eleitoral agora aposta em parcerias com plataformas e sistemas de denúncia para tentar monitorar a desinformação automatizada que promete impactar o equilíbrio da disputa em 2026.
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